Terça-feira, Junho 16, 2009

O milagre da vida

Talvez pelo balançar, pela mulher ao lado ou por não ter o que pensar, a ereção durante uma viagem de ônibus acontece. A algumas poltronas de distância, o choro de uma criança é broxante. Faz pensar na realidade do princípio da vida.

Ela se inicia com o pau duro, com uma trepada. São várias formas de se definir sexo. Várias maneiras que, às vezes, pretendem distinguir sexo de putaria. Fazer amor, e não trepar.

Porra nenhuma. É tudo lascívia, secreções, orgasmo e, vez ou outra, geração de vida. O princípio da vida pode se resumir a um porre e a sexo violento com algumas cuspidas, chupadas e *fist fucking no local que sairá seu filho.

Então a face de sua criança estará ligada a uma noite de sexo brutal. E ainda ousam chamar a vida de um milagre, quando ela não passa de uma putaria.

Me lembro da criança chorando no ônibus. A mãe começou a sacudi-la e o choro cessou. Em uma poltrona no início do ônibus, a chorona olhou pra mim e abriu um sorriso. É quando a putaria, talvez, se torna amor e milagre. Com um sorriso de algo que um dia foi esperma. Ou ainda com um sorriso de uma mulher, que antes era apenas uma foda e se torna uma esposa.


*Tente o google

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Quarta-feira, Março 25, 2009

Trilogia do tempo

Relógio da vida

Se os dias parecerem os mesmos e isso incomodar,
Pense nas horas
Haverá ao menos alguma diferente.
Se não bastar,
Pense nos minutos.
Possivelmente, sua rotina será quebrada em questão de minutos.
Se ainda não for suficiente,
Pense em segundos.
Milhares nascem e morrem em um segundo,
Inclusive você.
Os dias podem parecer os mesmos,
Mas a vida muda em um segundo.
É tudo uma questão de tempo.
E não nos damos tempo para pensar sobre o relógio
Da vida.

***

Gerações opostos

Meu avô dormia com o revólver debaixo do travesseiro para não ser surpreendido pelo tempo. Eu durmo com o relógio debaixo do travesseiro para não ser surpreendido pelo bandido.

***

Moribundo

“Ainda nem é meia-noite. Há algum tempo me contentaria com isso. Me contentaria em saber que teria várias horas de sono pela frente antes de acordar. Me contentaria a lentidão e a velocidade das horas. Me contentaria as intermináveis horas de frio pela manhã quando estávamos no inverno. Também me contentaria o fim de um dia escaldante de verão regado a uma cerveja gelada. Ficaria satisfeito com pouco. Por que descobri que havia um outro lado? Por que o tempo não é mais o mesmo? Tive um filho. Ele morreu jovem, foi atropelado aos quinze anos de idade. A mãe enlouqueceu e hoje estou aqui agonizando e sendo torturado a cada minuto, hora, dia de minha existência. Por que agora o tempo não se encarrega de me contentar pela última vez? Quando era mais jovem, me agradava a idéia de viajar pelo tempo. Visitar um passado remoto ou um futuro distante. Era muito bom tudo aquilo. Talvez, se as tais viagens existissem, trataria de aproveitar mais o tempo. Não existiria o outro lado, o lado ruim do tempo, pois sempre poderia voltar para consertar as coisas, ou ir além para prever um erro. Hoje tenho de me contentar apenas com a realidade moribunda; a realidade de um moribundo. O tempo está cobrando seu preço e tenho de pagá-lo em dobro. Como? Ficando vivo com a ajuda de um estúpido carrinho de oxigênio, sentado num sofá, cagando e mijando em mim mesmo. Até quando?“.

- Nossa cara, que triste. Mas e sua esposa, aonde ela se meteu?

- Amanhã eu te conto, se você trouxer cigarros e trocar minha fralda.

Sexta-feira, Outubro 24, 2008

A história do anal giratório

Tammy – Japa Mestiça
Faço todas as posições
Anal giratório
4325 – XXXX



Celular? Prefiro os orelhões. Enquanto você faz um telefonema, pode observar uma série de anúncios bizarros e surpreender a pessoa do outro lado da linha. Ao invés do tradicional alô, gargalhadas ou uma pergunta do tipo: “o que é um anal giratório?”.

- Porra, tá achando que eu sou viado?
- Pô, Alê. To falando sério. Tem um anúncio aqui no orelhão. Tammy, japa mestiça. Anal giratório.
- Ah velho, sei lá. Liga pra ela, ué.
- Eu não. Sou tímido. Vai que ela me zoa por eu não saber o que é um anal giratório.
- Hahahaha! Ah meu, já to indo pro boteco. Chegando lá você pergunta pra galera.
- Mas se a galera me zoar vou falar que você também não sabe.

Não seria nenhuma novidade dizer que o assunto animou a mesa do bar. Para minha surpresa, ninguém sabia explicar exatamente o tal do anal giratório. Então as sugestões apareceram.

Sugestor 1: A mina deve girar o seu pau.
Contestador 1: Como assim, girar meu pau? Vai torcer a parada?

Sugestor 2: Ah, vai ver ela tem tipo um mecanismo, um controle. Quando ela pisca o brioco ele gira.
Contestador 2: Porra, ela então tem um motor instalado no toba?

Tony, o cara mais sério da mesa também tinha uma hipótese.

“Seus virgens do cacete. É giratório porque ela rebola sem deixar o pau sair”.

Todos: Hummmm... Tá entendido, heim?
Tony: É, vai tentar fazer isso. É por isso que a mina é profissional.
Contestador 2: Ah, quer dizer que você já tentou?
Tony: Vai se fuder!

A explicação do Tony era convincente, mas todos se recusavam em aceitar um significado tão simples para o emblemático anal giratório. E as hipóteses continuaram.

O Valtão, que parece o personagem Leôncio do desenho Pica-Pau e tem a voz do Homer Simpson, sugeriu algo...bem... algo escatológico, digamos assim.

“Vai ver ela faz esse anal giratório quando tá com diarréia e solta um jato giratório de merda na sua cara”.

Todos: Puta que o pariu Leôncio. Vai se fuder!

As hipóteses estavam se esgotando quando o Ale decidiu cantar “Cada um no seu quadrado”.

“Anal com giratória, anal com giratória. Ádo, á-ádo...”, e Tammy dançava na mente de todos.

No fim, acabei passando o número da Tammy para todos eles. Virgens do cacete.

Segunda-feira, Agosto 18, 2008

Pensando rápido

Meu óculos quebrou. Comprei super bonder na tentativa de consertar o dito cujo. Enquanto fazia isso, deu uma puta coceira no pé. Eu sempre tenho essa coceira no pé (não, não é frieira e nenhum médico conseguiu diagnosticá-la). Pensa rápido Dmitri... Pensa rápido.

Taquei super bonder na coceira. Ardeu, criou aquela casquinha e parou de coçar.

Maravilha.

Quinta-feira, Agosto 14, 2008

Girando, girando...

Criei uma fascinação por máquinas de lavar roupa. Observar as roupas girando por uma janelinha redonda e em seguida se deliciar com o barulho da água que é despejada por um cano. A água desemboca em um pequeno tanque de lavar roupas, que hoje serve apenas para receber a água da máquina.

Um processo que me acalma e me deixa aflito. Aflição quando a máquina começa a girar mais rápido. Treme tudo, cara.

Um transformador 110/220v começa a andar em cima dela. Um copo utilizado como medidor de sabão também anda. Observei ele andar até cair. Depois o coloquei novamente em cima da máquina. Ele tornou a andar e cair.

As roupas saem limpas e perfumadas após alguns minutos. E eu tenho uma diversão extra enquanto fumo um cigarro. Seria legal se existisse uma máquina como essa para seres humanos. Entrar dentro, girar, girar e sair mais limpo.

Se bem que não. Acho que vomitaríamos com todo aquele giro. E há sujeira que nunca sai, principalmente a da mente, a da alma.