Sexta-feira, Outubro 22, 2010

Pessoas

Exercício mental complicado esse. O de tentar se lembrar de pessoas que passaram por sua vida. Qualquer pessoa que tenha conversado com você por mais de dois...um...oito... dez minutos, marcou sua vida. Aliás, esse é o tipo de coisa que não dar para mensurar em minutos, horas, dias. Às vezes, uma pessoa marca tanto em nossas vidas que nem mesmo ela nunca irá saber. Às vezes, ela nem sequer conversou com você. Não houve minutos, nem horas, nem dias. Fica aquela coisa platônica, que vez ou outra aparece na sua mente. E você se condena, se acha ridículo por lembrar de uma pessoa que sequer conheceu. De algo que sequer aconteceu.

As pessoas simplesmente aparecem. Às vezes vão, às vezes ficam. Desconhecidos, pessoas legais, amigos, amantes, amores... Geralmente deixam marcas. Mas já parou para pensar por quais motivos elas deixam marcas? Seria o momento de fragilidade, o momento muito louco, o momento casual? Como as pessoas aparecem, deixam marcas, vão embora ou às vezes ficam? Seria o tal destino?

Se você está em um ótimo dia, ou péssimo dia, você lembrará até mesmo daquele flanelinha que te encheu o saco enquanto você estava no carro, tentando engatar a ré para ir embora.

Mas o pior é quando você lembra de pessoas que realmente fizeram parte de sua vida por algum momento e que hoje você nem sabe se elas estão vivas. Por ironia da vida, do destino, você acabou perdendo contato com elas. Pessoas que geralmente aparecem em seus devaneios e sonhos. Então, dá até vergonha de tentar uma aproximação e o melhor é acabar esquecendo.

E então, em um bom dia, você fica amoroso e atencioso com as pessoas. Você conversa sobre várias coisas com aquele amigo (a) de sua amiga (o), que por acaso apareceu no bar. Ele (a) parece ser uma pessoa legal. Você pensa em encontrar mais vezes a pessoa. Pensa em apresentar coisas que você gosta para a pessoa. Entre umas cervejas e outras, você encontra alguém que lembra seu melhor amigo (a) ou encontra sua alma gêmea. Lembra que deveria procurar aquele velho amigo (a) ou tentar resolver assuntos pendentes.

Dependendo da ocasião e da pessoa, você até pensa em uma vida juntos. Pensa como seria aquele encontro alguns meses ou anos depois. Você juntamente com ele (a). Você mulher acaba descobrindo o sobrenome do cara, e imagina como seriam os nomes de seus filhos. Você homem acaba pensando que poderia finalmente colocar a vida nos eixos e viver algo com alguém especial. Tudo fica tão próximo e ao mesmo tempo tão longe.

Longe porque sempre há o porém. Coisa que, às vezes, é difícil descobrir o motivo. A umidade relativa do ar não estava tão boa enquanto ela pensava sobre um futuro a dois. O sonho da noite anterior anunciou algo terrível. O passado bate à porta e diz que tudo será como novamente. Então, o medo trava qualquer passo.

E isso se repete em nossa vida pessoal, independentemente do momento. Pessoas surgem e desaparecem, de formas inesperadas, bizarras e até mesmo quando a gente espera. Mas elas acabam indo embora. Por ironia do destino. Porque você mudou de emprego ou de cidade. Ou porque você simplesmente ficou com medo e não deu a devida atenção. Ou porque a umidade relativa do ar não era favorável. Ou por algum motivo que você irá se perguntar para o resto de sua vida.

O pior é quando vem aquela dúvida. O que eu perdi? Às vezes nada. São tantas pessoas neste mundo... São tantos momentos para decepções e arrependimento. Tantos momentos em que você ressurge. E então você segue, e deixa pra depois as lembranças.

6 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

confesso que este post me fez parar e refletir por uns 10 mim...rsr
a melhor maneira é seguirmos e quem sabe, um dia, uma pessoa resolve ficar, não é?

adorei!

f. ferfoglia

10:21 AM  
Anonymous Nycadock Thorn disse...

Verdade,nossas vidas se enveredam por caminhos que nós nem ao menos imaginávamos...todos nós somos a soma do que vimos e vivemos.
Ótimo post,me lembrou um texto do Vinícius que fala sobre amizade,e a forma como lidamos com ela...

Tocante!

Abs.

2:57 PM  
Anonymous Anônimo disse...

Esse texto "veio cá" fundo do peito. Como os outros, fiquei a pensar durante um tempo, confesso que pouco mais de 10 minutos. Durante, me veio coisas(leia-se:pessoas) boas e ruins também.

Muito bom, moço!

11:06 PM  
Anonymous dmitri disse...

fívolo. as pessoas que marcam são as especiais, seja por algo bom ou ruim. pessoas que mexem com o seu mundinho.

12:10 AM  
Blogger Gil Nunes disse...

Engraçado que justamente quando eu pensava sobre "pessoas", te encontro novamente. Engraçado que comentava com nosso amigo em comum outro dia e você foi pauta para um mar de histórias.
Bom reencontra-lo.
Um abraço meu amigo!

12:13 AM  
Anonymous Anônimo disse...

Schoppenhauer já apontava o dedo na nossa cara e na sua filosofia "seja feliz pessimista", dizia-nos, na lata, ser o veneno de nossa alma, fincar os pés no tempo futuro. Desde sempre, relutei contra estereótipos encenados por grande parte da minha classe: ser mulher é... Contudo, venha Schoppa, aqui ó! Na bochecha direita, pois na esquerda, só recompensas pelo bom comportamento: tabefe! Quando permito conhecer pessoas e, bom, pessoas me conhecerem, estabelecendo com elas algum laço, seja de simpatia, afeição, tesão e/ou querer prolongar indefinidamente a prosa, logo imagino eu velhinha, abarrotada de 'entas, lembrando de tal pessoa. E, isso me mete medo, perguntando-me por que não fiz isso ou aquilo... por que não me aventurei... por que não deixei meu medo de lado... por que não agi... A "certeza" de que não vai dar certo mesmo, melhor nem arriscar é uma desculpa cômoda e eficiente. Só que a pessoa não se apaga da memória. Não consegui ver outros caminhos à situação que havia se complicado por conta de outra intervenção... de insepulto... ou zumbi?
Sempre lembrarei de você e com a lembrança, a sensação de serem poucas as chances de encontrar uma versão sua de cueca.
Outra desculpa esfarrapada e cômoda: dois bicudos não se beijão, non?

1:00 PM  

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