Quarta-feira, Junho 01, 2011

Síndrome do relativismo

Falar que tudo é relativo pode soar tão mortal quanto sábio. É você enxergar o erro, mas fazer ponderações e levar em conta o outro lado. Tudo isso com alguma bagagem cultural, histórica, psicológica, experiências de vida. Humildade, empatia.

Você se coloca no lugar do outro, ao mesmo tempo vendo que você não é o oráculo do mundo e que a verdade absoluta não existe. Você condena o holocausto, mas entende que Lars Von Trier entendeu Hitler. Mas no fim acha que o cineasta exagerou e aceita suas desculpas.

É a favor e contra a legalização da maconha. Tem argumentos suficientes para convencer qualquer um, independentemente da posição: contra ou a favor. Sabe que conhece muito de tudo e muito de nada.

No fim, tudo se equilibra e se anula. Você acaba evitando discussões, até porque cada ponto de vista é válido e tudo é relativo. Vira um preguiçoso intelectual. Ou então acaba entrando em um teatro, do qual o objetivo é testar seu poder de convencimento, independentemente do lado a ser defendido. Só para conhecer/e/ou convencer o outro lado.

Você pode ser a favor e contra o aborto. Se considerar um conservador e liberal. Você se comunica bem, tem conhecimento. As pessoas vão te ouvir, sinalizando estarem do seu lado. As contrárias serão facilmente convencidas, desde que você as escute e não fira seus egos. No fim, você completa com um: “É tudo relativo”.

O foda é quando você vai ficando velho. Não sabe se as pessoas estão acreditando em você, realmente, ou se estão tentando ser educadas. Fingindo acreditar, por educação, conveniência ou até pelo medo, vai saber. Você teoriza a vida e fala de suas experiências para alguém mais jovem, que parece estar escutando algo.

Mas você é apenas um velho, tentando se sentir valorizado. E no fim, todo o conhecimento que eu vomito entra por um ouvido e sai pelo outro. Porque os outros escutam por educação ou qualquer outro motivo torpe, ou porque você sempre se superestima, não se dá valor. No fim é tudo relativo.

Fuja do relativismo, apesar de ele ser real. Ele conforta, mas amedronta. E tudo se anula, vira um zero. Dois zeros unidos lembram o signo do infinito. O relativismo seria a resposta?

Isso está muito pós-moderno. Melhor parar por aqui, pois não terá fim. Ou não. Hehehe.

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