Terça-feira, Setembro 20, 2011

Deus

Eu até entendo os religiosos ou quem acredita em Deus. A vida é dura. Tem horas que a gente espera que Deus olhe só um pouquinho para nossas preciosas vidas, esteja ele onde estiver. É acreditar que ele possa dar uma forcinha, colocar a sorte ao nosso lado.

Deixar de lado as crises, os antidepressivos, viver um dia sem preocupação. Ser presenteado com a cura de uma doença, um bom emprego, família ou qualquer outra coisa importante.

Talvez seja egoísmo achar que Deus, diante de tantos problemas no mundo, ele vá se preocupar justamente com os seus. Mas conforta pensar que sim, já que tudo na vida pode depender de um pouquinho de sorte, daquele empurrão que pode vir do além. Há quem fique a vida inteira esperando por isso. Se não vem, veste a camisa da humildade e da gratidão e, independentemente da merda de vida, agradece a Deus. Há quem seja mais radical e acabe mandando Deus para a puta que pariu por tudo que era para ter sido, mas não foi.

Vale também se esconder no acaso divino para ignorar o fracasso e tirar um pouco o peso da responsabilidade. O oposto é quem nasce com o cú virado para a lua; agradece a Deus com uma oraçãozinha ou vira o crente mais fervoroso, ou nada disso: a pessoa se sente segura o suficiente para achar que o sucesso independe do Todo Poderoso.

Sorte, sucesso... Se Deus tiver um tempinho, ele ajuda. Ou não. Talvez Deus seja um brinde ao sucesso, o choro do fracasso, ou o nada. A alegria, a tristeza ou o vazio.

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