Salada de fruta – Parte 3
Como sempre nada para fazer no domingo. Até que consegui acordar cedo. Não havia nada de bom em casa e decidi descer até o mercado central. É uma espécie de feira. Lá, há de tudo: frutas, legumes, putas, raízes e temperos, comidas típicas, jogos de carta e dominó, além de cerveja e cachaça.
Resolvi começar o dia com um cozido de miúdos de porco e uma cerveja, só para animar. Antes do prato chegar e de pedi a segunda cerveja sai em busca de um local para dar uma mijada, a primeira do dia, ótimos 35 segundos em algumas coisas de papelão.
Pedro agora vive nas ruas. Deve ter acordado com o barulho do mijo e se levantou dentre as caixas. Convidei-o para um desayuno.
Pediu dois pastéis de carne e um refresco e começou a me contar suas aventuras. Ele estava no mundo do crime, mas era algo leve. Arrombava caixas de telefone e de energia para roubar fios de cobre. Vendia o material para alguns recicladores e donos de ferro velho. Conseguia assim comer alguma coisa.
Mas morria de medo de ser eletrocutado. Muitos já morreram nesse negócio. Acho que já escrevi alguma matéria sobre isso.
Ele estava no ramo dos cobres a pouco mais de um mês, desde que fugiu de casa. Não deu satisfação para ninguém, não deixou carta alguma. Saiu com a roupa do corpo e uma chave no bolso. Sabia que seria roubado por meninos de rua mais veteranos caso levasse alguma bagagem. A chave era de casa, para fazer algumas visitas quando a coisa apertasse. Pegar alguma roupa ou comida. Pedro sabia quando a casa ficava sozinha e podia dar uma chegada até lá sem encontrar ninguém.
Disse que cheirava uma colinha de vez em quando, para vencer a fome. Mas não gostava dos efeitos colaterais. “É ruim demais. Dá dor no estômago. A cabeça parece que fica oca e dá tontura também. Fico escutando um monte de barulho”.
Antes de ir para as ruas, Pedro pensou em ir para a casa da avó. Só assim fugiria das porradas do seu padrasto. Mas a velha morreu e para Pedro restaram a cola e os cobres .
Perguntei sobre suas anotações. Ele disse que no início andava com elas, antes da chuva destruir parte de seus cadernos. Desde então havia desistido de escrever.
A conversa estava boa, mas ele teve de ir. Falou que ia dar uma passada em casa. A mãe e o padrasto estavam no parque vendendo saladas de fruta. Agradeceu pelos pastéis e foi embora. Eu fui jogar uma partidinha de dados, apostado.
Resolvi começar o dia com um cozido de miúdos de porco e uma cerveja, só para animar. Antes do prato chegar e de pedi a segunda cerveja sai em busca de um local para dar uma mijada, a primeira do dia, ótimos 35 segundos em algumas coisas de papelão.
Pedro agora vive nas ruas. Deve ter acordado com o barulho do mijo e se levantou dentre as caixas. Convidei-o para um desayuno.
Pediu dois pastéis de carne e um refresco e começou a me contar suas aventuras. Ele estava no mundo do crime, mas era algo leve. Arrombava caixas de telefone e de energia para roubar fios de cobre. Vendia o material para alguns recicladores e donos de ferro velho. Conseguia assim comer alguma coisa.
Mas morria de medo de ser eletrocutado. Muitos já morreram nesse negócio. Acho que já escrevi alguma matéria sobre isso.
Ele estava no ramo dos cobres a pouco mais de um mês, desde que fugiu de casa. Não deu satisfação para ninguém, não deixou carta alguma. Saiu com a roupa do corpo e uma chave no bolso. Sabia que seria roubado por meninos de rua mais veteranos caso levasse alguma bagagem. A chave era de casa, para fazer algumas visitas quando a coisa apertasse. Pegar alguma roupa ou comida. Pedro sabia quando a casa ficava sozinha e podia dar uma chegada até lá sem encontrar ninguém.
Disse que cheirava uma colinha de vez em quando, para vencer a fome. Mas não gostava dos efeitos colaterais. “É ruim demais. Dá dor no estômago. A cabeça parece que fica oca e dá tontura também. Fico escutando um monte de barulho”.
Antes de ir para as ruas, Pedro pensou em ir para a casa da avó. Só assim fugiria das porradas do seu padrasto. Mas a velha morreu e para Pedro restaram a cola e os cobres .
Perguntei sobre suas anotações. Ele disse que no início andava com elas, antes da chuva destruir parte de seus cadernos. Desde então havia desistido de escrever.
A conversa estava boa, mas ele teve de ir. Falou que ia dar uma passada em casa. A mãe e o padrasto estavam no parque vendendo saladas de fruta. Agradeceu pelos pastéis e foi embora. Eu fui jogar uma partidinha de dados, apostado.