Caras durões
Um negão forte de mais ou menos dois metros de altura entra no bar e senta em um dos bancos do balcão. Seus olhos pareciam estar mergulhados em sangue. Pede uma cachaça. “Qual?” “Qualquer uma”. Cardoso, o balconista, não se conteve e comentou comigo: “É chifre, quer ver só?!”
- Qual foi o problema, amigão?
E o negão desaba a chorar, como se fosse uma criança.
- Ele não podia ter feito isso comigo. Eu fiz tudo por aquele vagabundo, o tirei da sarjeta e ele me trai logo com aquela vaca. Desgraçado.
O bar ficou em silêncio para escutar o negão. Sem saber o que dizer, Cardoso solta um: “Isso acontece, amigão”.
//
A noite vai se aproximando e os primeiros sinais de embriaguez começam a aparecer. Um cara cai do banquinho, se levanta e debruça no balcão. “É assim pelo menos uma vez na semana. Daqui a pouco aparece o filho para resgatá-lo”.
- Qual foi o problema, amigão?
E o negão desaba a chorar, como se fosse uma criança.
- Ele não podia ter feito isso comigo. Eu fiz tudo por aquele vagabundo, o tirei da sarjeta e ele me trai logo com aquela vaca. Desgraçado.
O bar ficou em silêncio para escutar o negão. Sem saber o que dizer, Cardoso solta um: “Isso acontece, amigão”.
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A noite vai se aproximando e os primeiros sinais de embriaguez começam a aparecer. Um cara cai do banquinho, se levanta e debruça no balcão. “É assim pelo menos uma vez na semana. Daqui a pouco aparece o filho para resgatá-lo”.
O garoto chegou por volta das nove. Viu o pai estirado no balcão e se sentou na minha mesa.
- Você tem quantos anos? – Perguntei
- Nove.
- E veio pegar seu pai?
- Foi.
Então o garoto se levantou e pegou um limão no balcão. Voltou e começou a lamber o limão.
- É azedo. Você quer um pouco?
- Não, garoto. Obrigado. Ei, você é um cara durão, sabia?
- É?
- É.
- Mas o limão vai ficar melhor se você o espremer em um copo com água. O Cardoso deve ter açúcar.
O garoto tomou sua limonada e esperou o pai dar um sinal de vida. O velho se mexeu lá pelas onze. O garoto foi até ele, pegou sua mão e saiu arrastando o velho.
- Você tem quantos anos? – Perguntei
- Nove.
- E veio pegar seu pai?
- Foi.
Então o garoto se levantou e pegou um limão no balcão. Voltou e começou a lamber o limão.
- É azedo. Você quer um pouco?
- Não, garoto. Obrigado. Ei, você é um cara durão, sabia?
- É?
- É.
- Mas o limão vai ficar melhor se você o espremer em um copo com água. O Cardoso deve ter açúcar.
O garoto tomou sua limonada e esperou o pai dar um sinal de vida. O velho se mexeu lá pelas onze. O garoto foi até ele, pegou sua mão e saiu arrastando o velho.