Terça-feira, Fevereiro 27, 2007

Cheiro de bosta

Depois de andar por lugares onde quando se passa em uma poça levanta um cheiro de bosta, desagüei no esgoto: o bom e velho boteco da esquina. Lá, a atração era uma máquina de caça níquel. Dois caras gordos estavam instalando o aparelho. Um amigo me chamou para uma partida de sinuca.

Ele ganhou duas e depois fomos sentar para algumas cervejas. Os gordos do caça níquel haviam acabado de instalar o negócio. Um grupo de bêbados se aproximou da máquina e ouviu algumas instruções sobre como se jogar.

“Você tem a aposta mínima, a média e a máxima. O melhor é ir na média e apostar em nove linhas. O resto a máquina faz. É cruzar os dedos e torcer por uma boa combinação”, explicava um dos gordos para o grupo de bêbados, ainda turistas naquele caça níquel.

Um cara cabeludo, de porte atlético, se aproximou de nossa mesa para falar com meu amigo. Eu estava entretido demais com os bêbados no caça níquel. Mesmo assim, meu amigo me apresentou o cara cabeludo.

Ele era jogador de futebol, profissional. Fudeu o joelho no auge da carreira, aos 19 anos. Hoje está com 27 e ainda se recuperando de várias cirurgias. Sonha ainda em voltar a jogar profissionalmente. Mas eu duvido que isso aconteça. Ele também, talvez. Já está um pouco velho. Só conseguirá jogar futebol amador, eu acho.

- Cara, minha vida é o futebol. Se eu não conseguir voltar a jogar eu me mato.
- Meu amigo, há várias possibilidades no futebol. Você pode se tornar um técnico, preparador físico, sei lá – tentei amenizar.
- Não, técnico não – e começou a chorar como uma criança. Já estava meio bêbado.
O clima estava ficando ruim. Paguei duas cervejas e fui dar uma volta. Ainda sentia um cheiro de bosta. Deve ter se impregnado em minhas narinas.