terça-feira, setembro 23, 2014

Prepotência e clarividência

O despertar dos sentidos,
O soar das trombetas,
A clarividência,
Tudo faz sentido.

Sentimento de prazer e sorriso no rosto,
Que sempre revelam a face dos tolos.
Tudo se transforma em riso, segurança e prepotência.

Eu sou o cara,
Já vi esse filme antes.
Confie em mim,
Pegue esse caminho,
Siga meu conselho.

Siga-me.
E devorarei sua alma.
Depois, vá morrer em outro canto,
Não quero ver, nem cheirar, sua decomposição.

quarta-feira, julho 16, 2014

Verdade

Senti os pelos de meu corpo se levantarem. Não foi um arrepio, calafrio. E as janelas estavam fechadas. Foi o frio da minha alma me dizendo que não precisamos de verdades para viver. Mas sim de mentiras e ilusões.

terça-feira, fevereiro 18, 2014

Bar dos "profiça"

Segunda-feira gorda
- A cada três cervejas, a quarta é por nossa conta;

- Chope dose dupla a noite toda;

Pra começar a semana com o pé na jaca.


Terça do "petixco"
A cada cerveja, grátis uma mini porção (tapa) de qualquer petisco da estufa: ovo colorido, calabresa acebolada e conservas (pepino, salsichinha, cebola e azeitona).


Quarta do "fudibol"
A cada gol do seu time, uma cerva na faixa. Alguém da mesa tem que estar com a camisa do time e saber cantar o hino do clube.


Quinta do "vixque"
Todas os uísques com 50% de desconto, a dose.


Sexta fudeu tudo
- Todos os destilados com 50% de desconto, a dose;

- A cada quatro cervejas, a quinta é de graça;

- Petiscos 50% mais caros.

Sábado do "exquenta"
Todos os itens da sexta (exceto petisco - preço normal), até as 23h45.

Domingo do "fudibol"
Todos os itens da quarta, mais um pratinho de churrasco a cada cinco cervejas.

O churras é de graça. Não exija serviço de churrascaria.


Sabemos que sua profissão é estressante. Venha desestressar durante a semana e relaxar no "findi".

- Aceitamos todos os cartões;
- Cliente assíduo há mais de 3 anos pode ter conta (caderneta). Consulte o gerente;
- Banheiros com cabines equipadas com prateleiras (pra colocar suas coisas), canudos descartáveis (pra mastigar, esvaziar o copo mais rápido...) e cartões do bar (para não nos esquecer). Queremos que você beba muito;
- Private room para reuniões de negócio (temos contatos de várias strippers). Consulte disponibilidade;
- Disque desculpa (o seu "chefe" pode explicar para sua mulher o porquê de uma reunião na segunda demorar tanto);
- Nada de música ao vivo. No máximo um sambinha malandro, soul, 70's, blues e rocknroll clássico, tudo em um volume ambiente;
- Sem luz fluorescente, que lembra padaria ou supermercado.


E ai, quem vai?

terça-feira, novembro 26, 2013

Catador de latinhas



Certas pessoas são figuras carimbadas de boteco. Velhos solitários e alcóolatras, mitomaníacos, advogados corruptos e policiais malucos, que de vez em quando atiram para o alto sem nenhum motivo. Há também o “zé droguinha”, o “talento desperdiçado”, a prostituta (que ainda em má fase recebe elogios), o que fica no balcão chorando por causa de chifre, o velho gordo com gota que senta sempre no mesmo canto, o amigo do dono do bar que sempre chega com uma gostosa...

Personagens que tornam o boteco uma espécie de hospício sociável (às vezes não) e democrático. O figura da vez é um pouco diferente. Ele é velho, manco, catador de latinha e bróder de todos os habitantes daquele enclave etílico. Usa uma bengala e sua feição varia entre o ranzinza e o brincalhão, com ressalvas. Sempre responde a brincadeiras dos garçons com golpes de bengala.

Quando chega no bar, o rapaz do balcão serve de pronto um vinho chileno, um bom, por sinal, em copo plástico. Os três primeiros goles servem para degustar. Acende um cigarro de palha e vira num só trago o resto da bebida.

Os garçons começam a lhe importunar, fazer cócegas, derrubar as sacolas cheias de latinhas. Quando ele ameaça com a bengala, os garçons saem correndo. Todos no bar dão risadas com aquela cena. Uma versão nossa de Dr. House, mais criança do que sarcástico.

Sempre paga pelo seu vinho, não gostava de favores. Seres como ele são cercados de boatos e causos. É comum aparecer histórias sobre o velho. Que ele era rico, que havia sido escravo, que fora abandonado pela família, que sucumbiu à loucura após um chifre...

Sei que quando ele chega no boteco, todos sorriem por alguns minutos. Talvez seja seu único momento de felicidade no dia. Até sorrir ele consegue, mesmo sendo sacaneado (no bom sentido), catando latinhas, velho, manco e ranzinza. Parece ganhar o dia com as brincadeiras dos garçons. E todos no recinto ficam felizes enquanto seu sorriso dura.

 

 

 

domingo, setembro 08, 2013

Carro das onze

Eu até beberia mais,
Mas não posso ficar.
Sou filho único,
Tenho minha casa pra olhar,
E o trem das onze não vou pegar.
Vou dirigindo,
Tenho multas e prestação do carro a pagar.

Sei que estou errado,
Mas quem não está,
Nestes lados do trópico?

Eu até beberia mais,
Mas não posso ficar.
Vou dar uma olhada no Waze,
E torcer pro detran não me pegar.
Amanhã é segunda,
Eu até beberia mais,
Mas terei que trabalhar.

Quaiscalingudum?
Hoje não vai rolar.