Uma reunião de contos, crônicas e afins. Os nomes dos personagens são fictícios. As notas, nem sempre.
terça-feira, março 01, 2016
terça-feira, fevereiro 23, 2016
Gosto
estava cansado de não sentir o gosto das coisas.
uma linda comida em minha frente.
sabia que não iria sentir o gosto.
sinusite.
resolvi bater minha cabeça conta a parede.
para liberar secreções e sentir novamente.
o gosto das coisas.
resolveu, em parte.
acordei com o gosto de sangue.
uma linda comida em minha frente.
sabia que não iria sentir o gosto.
sinusite.
resolvi bater minha cabeça conta a parede.
para liberar secreções e sentir novamente.
o gosto das coisas.
resolveu, em parte.
acordei com o gosto de sangue.
sexta-feira, fevereiro 12, 2016
Guerra civil
Invente um novo idioma,
Fale nesse novo idioma para si.
Preste atenção em cada consoante, vogal.
Invente um novo país,
Este país seria você.
Suas células, sua mente,
Seriam seu povo.
Você cresce!
Seus parentes seriam repúblicas.
Autônomas.
Seus eus, semi-autônomas.
Você é uma federação.
Seus amigos seriam aliados.
Não como a otan, bricks, mercosul.
Seriam apenas aliados.
Aliados que podem te ajudar,
Em caso de uma guerra civil em seu país.
Depressão,
Angústia,
Raiva,
Ódio,
Solidão!
Ingredientes de uma guerra civil,
Não?
Tudo nada
Pare,
Por apenas alguns minutos
Pare!
Procure o silêncio,
Feche os olhos,
Prenda a respiração.
Se esvazie!
Sinta o nada,
Sinta o vazio,
Sinta Deus.
Veja a escuridão!
Volte a respirar lentamente,
Ouça sua respiração,
Seu coração batendo.
Seus pelos se arrepiarem.
Os sons voltam lentamente,
A vida que você conhece.
Tussa!
Agora sinta o arrepio,
Aperte o play no cérebro,
Do filme da sua vida.
Volte ao silêncio.
Feche os olhos,
Prenda a respiração.
Se esvazie!
Sinta o nada,
Sinta o vazio,
Sinta Deus.
Durma!
Acordar ou não será apenas consequência.
quinta-feira, fevereiro 11, 2016
Fragmentos
Diante da miséria, não pense macro e nem em mudar o mundo com ideais. Diante da miséria, faça o que tiver que fazer. Seja humano.
***
"Aqui morrer realmente é uma continuação da vida. As pessoas se acostumam a morrer", Sebastião Salgado, em depoimento no documentário 'O Sal da Terra', trecho sobre seu trabalho na Etiópia nos anos 1980.
Salgado explica que segundo a tradição copta (cristão etíope), o corpo deve chegar limpo perante a Deus. "Todos devem ser lavados, apesar da falta de água. Com a morte de cada pessoa, morre um pedaço de todos". Lembrei-me de quando vi pela primeira vez um patente morto, no caso minha avó. Perguntei para o encarregado do velório se era preciso lavar o corpo.
***
A vida pode ser longa como uma girafa, graciosa como o pavão e mutável como o camaleão. Mas também pode ser um elefante, desproporcional, pesada e cinza.
***
Cada trago no conhaque lembrava uma desilusão. Cada trago no cigarro, uma contravenção amorosa.
***
Lembrança e morte são certezas. Incerteza é angústia ou excitação. E tudo isso se chama vida.
***
Depois de tudo, posso olhar para mim e dizer: eu sou real, eu existo.
***
"Aqui morrer realmente é uma continuação da vida. As pessoas se acostumam a morrer", Sebastião Salgado, em depoimento no documentário 'O Sal da Terra', trecho sobre seu trabalho na Etiópia nos anos 1980.
Salgado explica que segundo a tradição copta (cristão etíope), o corpo deve chegar limpo perante a Deus. "Todos devem ser lavados, apesar da falta de água. Com a morte de cada pessoa, morre um pedaço de todos". Lembrei-me de quando vi pela primeira vez um patente morto, no caso minha avó. Perguntei para o encarregado do velório se era preciso lavar o corpo.
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A vida pode ser longa como uma girafa, graciosa como o pavão e mutável como o camaleão. Mas também pode ser um elefante, desproporcional, pesada e cinza.
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Cada trago no conhaque lembrava uma desilusão. Cada trago no cigarro, uma contravenção amorosa.
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Lembrança e morte são certezas. Incerteza é angústia ou excitação. E tudo isso se chama vida.
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Depois de tudo, posso olhar para mim e dizer: eu sou real, eu existo.
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