segunda-feira, abril 01, 2024

Ser pai custa caro

A recente paternidade me aprontou mais uma. Desde o nascimento da Martina, também conhecida como Minduim e Tininha, sair de casa se resume a idas ao pediatra ou ao trajeto trabalho-casa.

No primeiro dia de visita dos avós paternos de Tininha, peguei o carro do meu velho e sai sozinho. Nada de churrasco ou barzinho com os amigos.

Fui a um lugar onde minha ausência não seria tema de julgamento, claro.

Onde? O supermercado. E não foi para comprar cigarros.

Nunca imaginei que fazer compras seria um lazer, e sim necessidade. Em teoria, era uma breve saída para comprar três ou quatro itens de higiene. Ainda assim, insisti em ir de carro, com a desculpa de que no mercado mais longe seria tudo mais barato.

Fazia tempo que não dirigia o carro do meu pai, e pensar nisso me deixou 25 anos mais jovem. Fui aproveitando cada acelerada e sentindo o ar condicionado na cara, dirigindo a 30km/h para aproveitar mais o momento.

Entrei no atacadão e fiquei hipnotizado. Andar empurrando um carrinho, ver vários produtos e comparar preços nunca foi tão prazeroso. 

Para deixar o momento ainda mais tesudo, abri o freezer de cerveja e peguei uma longneck cara, acho que belga, e fui mandando pra dentro.

Creio que passei por todas as sessões e prateleiras do mercado, tirando fotos dos preços atrativos e enviando as imagens a amigos e familiares, me sentindo um mensageiro de boas-novas.

Passamos a dar valor às pequenas coisas quando deixamos de vivenciá-las, já diria qualquer filósofo das redes sociais.

O problema foi que as pequenas coisas se tornaram grandes e caras. Dos quatro itens que eu tinha de comprar, acabei enchendo um carrinho, sob o pretexto de que os preços estavam bons.

Tive de passar dois cartões para pagar a conta. Nunca fui tão generoso no mercado. Realmente, a paternidade custa caro.

sábado, dezembro 23, 2023

Camisa da Suécia

Fim de ano, para muitas pessoas, é tempo de lembrar da infância. Mas no meu caso não foi por causa das festas com a família. Foi por outro momento, também em família.

Hoje, 23/12/2023, assistindo a um pequeno documentário sobre Ronaldo Fenômeno, voltei aos anos 1990. Na tela, passavam momentos da Copa de 1994.

Mas minha memória era da Copa da Itália, de 1990.

A cena em minha cabeça era com meus pais em um shopping de Salvador. Estávamos numa loja de departamento, e a camisa do Brasil estava em falta. 

Eis que algum funcionário teve a "excelente" ideia de espalhar pela loja camisetas da Suécia ("é amarelo também, vai que cola", pensou o gerente ou o estagiário).

Sei que saí do local frustrado, sem a camisa da seleção. Meus pais nem precisaram falar: "na volta a gente compra". 

Dessa Copa também lembro da febre das bandeirinhas nos carros e, claro, da derrota para a Argentina. Aquele gol do Caniggia.

Todo moleque desta época queria ser jogador de futebol, assim como eu. Mas nunca levei jeito para esporte nenhum (talvez o futebol de botão em algum momento). 

O interessante é como o futebol pode ser mágico e fazer parte da vida das pessoas.

Boas festas a todos!

sábado, janeiro 28, 2023

Bichos brutos

Meu avô dormia com o revólver debaixo do travesseiro.

Já eu, durmo com o celular para despertar e não perder a hora.

Até o tempo o vô devia matar muito bem. Só o conheci de ouvir falar. 

Dizem que ele sumiu depois de 1964. Coisa de revólver.

Já eu, contento-me em matar pernilongos com raquete elétrica.

Mas sei que o tempo muda tudo e devora todo mundo, seja o indivíduo com revólver, celular ou raquete elétrica.

Só ficam as baratas. Essas eu geralmente tenho dó de matar. Nem digo que é medo, para não pegar mal.


segunda-feira, maio 02, 2022

Grandes "mistérios" brasileiros

O hambúrguer não era de picanha, nem de costela. O presidente nunca foi mito, nem honesto. O pastor era metido com o tráfico e a milícia. O cidadão de bem passou na coca-cola, pegou dois travestis e 10g de pó, para esticar na bíblia, num motel da esquina. 

sexta-feira, abril 29, 2022

A qualquer momento

Minha estante está cheia de livros que nunca lerei. Tenho uma lista de músicas que nunca escutarei. A qualquer momento, ou daqui a dois, cinco ou vinte anos, morrerei. Sem fazer tudo que planejei. Acumulamos um montão de desejos e coisas para suprir o vazio da certeza de que tudo acaba a qualquer momento. Tentar dar sentido ao caos é arte e religião, daquelas que espalham sangue, gozo e terra pela cara. Assim nascemos e morremos em meio à escuridão. A vida é um ensaio de erros, acertos, arrependimentos, choros, crises de pânico e ansiedade. Por fim, o alívio chegará antes do salvador pregado na cruz. Deixem ele em paz.